UNICEF Innovation Fund
UNICEF Digital Wallet: inclusão financeira para mais de 4 milhões de pessoas
Como a Xcapit construiu uma carteira digital baseada em blockchain que alcançou mais de 4 milhões de pessoas em mais de 167 países como parte do UNICEF Innovation Fund — reconhecida como Digital Public Good pela DPGA.
Pessoas alcançadas
Países
Open source
Anos em produção
A exclusão financeira afeta mais de 1,4 bilhão de adultos em todo o mundo — pessoas sem acesso a uma conta bancária, um cartão de crédito ou qualquer serviço financeiro formal. Para muitos, a barreira não é a falta de dinheiro, mas a falta de infraestrutura: nenhuma agência bancária ao alcance, nenhum histórico de crédito para avaliar, nenhuma identificação que satisfaça os requisitos de KYC. O UNICEF Innovation Fund reconheceu que a tecnologia blockchain poderia oferecer um caminho para a inclusão financeira — mas somente se a tecnologia fosse construída para as pessoas que mais precisam dela.
O desafio
O UNICEF precisava de uma carteira digital que pudesse funcionar nas condições mais exigentes imagináveis. Os usuários-alvo eram populações de países em desenvolvimento com acesso limitado ou inexistente a serviços bancários tradicionais. Muitos nunca haviam utilizado serviços financeiros digitais. Seus dispositivos eram frequentemente smartphones Android básicos com armazenamento e poder de processamento limitados. A conectividade com a internet era intermitente, na melhor das hipóteses — em algumas regiões, os usuários se deslocavam entre pontos de acesso WiFi para completar transações.
Os requisitos eram simultaneamente rigorosos e contraditórios pelos padrões tradicionais: segurança de nível bancário em dispositivos de baixo custo, UX intuitiva para usuários digitais iniciantes, suporte multi-moeda em diferentes redes blockchain e resiliência a interrupções de rede — tudo construído como software open-source que outras organizações pudessem adotar e estender livremente.
Arquitetura da solução
A Xcapit projetou uma carteira móvel não custodial onde os usuários mantêm controle total de suas chaves criptográficas. Essa foi uma escolha arquitetural deliberada: em regiões onde as instituições podem ser instáveis ou pouco confiáveis, a self-custody elimina o risco de uma autoridade central congelar ou confiscar os fundos dos usuários. Não existe um ponto único de falha — se a Xcapit deixasse de existir, os usuários ainda teriam acesso total aos seus ativos.
Gerenciamento de chaves privadas
A carteira implementa a geração de frases mnemônicas BIP39 padrão da indústria para a criação de chaves, combinada com a derivação hierárquica determinística (HD) de chaves (BIP44) para suportar múltiplas redes blockchain a partir de uma única frase de recuperação. As chaves são armazenadas exclusivamente no dispositivo do usuário utilizando o hardware secure enclave quando disponível, com armazenamento criptografado de fallback em dispositivos que não possuem módulos de segurança de hardware.
Suporte multi-chain
A carteira suporta as redes Ethereum, RSK e Polygon por meio de uma camada de abstração unificada. Os usuários podem gerenciar ativos em diferentes ecossistemas blockchain a partir de uma única interface, sem precisar entender as diferenças entre as redes subjacentes. A camada de abstração foi projetada para minimizar o esforço de adicionar novas redes — um requisito fundamental dado o cenário blockchain em rápida evolução.
Arquitetura offline-first
Reconhecendo que internet confiável é um luxo em muitos mercados-alvo, a Xcapit implementou uma arquitetura offline-first. Os usuários podem visualizar seu saldo, preparar transações e assiná-las localmente sem qualquer conexão de rede. As transações são enfileiradas e transmitidas automaticamente quando a conectividade é restabelecida. Esse design garante que a carteira permaneça funcional independentemente das condições de rede — um requisito fundamental para atender populações em regiões remotas ou com infraestrutura precária.
Segurança sem complexidade
Cada decisão de segurança foi avaliada em relação ao seu impacto na experiência do usuário. A autenticação biométrica (impressão digital, reconhecimento facial) é utilizada quando o dispositivo a suporta, reduzindo a fricção da inserção de PIN enquanto mantém um forte controle de acesso. A assinatura de transações acontece localmente, o que significa que as chaves privadas nunca saem do dispositivo. O fluxo de backup da frase de recuperação foi projetado para ser claro e acionável para usuários que podem ter nível de alfabetização limitado, com auxílios visuais e linguagem simplificada.
Acessibilidade multiplataforma
Construída com React Native, a carteira roda nativamente tanto em iOS quanto em Android a partir de um único codebase. A otimização de desempenho para dispositivos de baixo custo foi uma prioridade: o consumo de memória e o tempo de inicialização do app foram ajustados para funcionar de forma fluida em dispositivos com apenas 1 GB de RAM e armazenamento limitado. A interface utiliza padrões visuais universais e texto mínimo para reduzir a barreira para usuários com diferentes níveis de alfabetização.
Reconhecimento como Digital Public Good
O codebase da carteira foi reconhecido como Digital Public Good pela Digital Public Goods Alliance (DPGA), uma iniciativa multi-stakeholder endossada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas. Esse reconhecimento certifica que o software é open source, adere aos padrões de privacidade e proteção de dados e contribui para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A designação torna a carteira disponível como base para outras organizações que constroem ferramentas de inclusão financeira — qualquer governo, ONG ou empresa social pode fazer um fork e personalizar o codebase para seu próprio contexto.
Resultados e impacto
Ao longo de mais de 5 anos em produção, a carteira alcançou mais de 4 milhões de pessoas em mais de 167 países. O projeto demonstrou que ferramentas financeiras baseadas em blockchain, quando projetadas com acessibilidade como requisito fundamental e não como algo secundário, podem contribuir de forma significativa para a inclusão financeira em escala global.
A abordagem open-source provou ser fundamental para a adoção: organizações e agências de desenvolvimento puderam avaliar o codebase, verificar suas propriedades de segurança e implantar versões personalizadas sem vendor lock-in. O reconhecimento da DPGA acelerou ainda mais a confiança institucional, possibilitando conversas com agências governamentais e organizações multilaterais que teriam sido difíceis com software proprietário.
A relação contínua da Xcapit com o UNICEF
O sucesso do projeto da carteira digital estabeleceu uma parceria de longo prazo entre a Xcapit e o UNICEF Innovation. Com base nessa fundação, a Xcapit desenvolveu o Shelter, um motor de desembolso baseado em smart contracts que alimenta o AidLink — um pipeline de transferências humanitárias de dinheiro baseado em blockchain. O Shelter foi validado em um piloto em Cusco, no Peru, distribuindo mais de $15.000 para 270 beneficiários com tempos de liquidação inferiores a 2 minutos. A progressão da carteira para a infraestrutura de desembolso reflete a crescente expertise da Xcapit em soluções blockchain para impacto social.
Depoimento do cliente
"Congratulations to Xcapit for their excellent work. Their technology is bringing digital assets closer to those who need them most, helping UNICEF Innovation bring the benefit of technology to the last mile." — Shane O'Connor, Innovation Manager, UNICEF
Principais aprendizados
- A arquitetura não custodial oferece as mais fortes garantias de segurança para os usuários finais — nenhuma autoridade central pode congelar ou confiscar fundos
- O design offline-first é essencial para produtos destinados a populações em regiões com conectividade limitada
- O desenvolvimento open-source e o reconhecimento como Digital Public Good aceleram a confiança institucional e a adoção
- O suporte multi-chain prepara a plataforma para o futuro à medida que a infraestrutura blockchain evolui
- Segurança e experiência do usuário são complementares quando projetadas juntas — autenticação biométrica, armazenamento local de chaves e fluxos simplificados comprovam isso
- Uma única frase de recuperação (BIP39) gerenciando ativos em Ethereum, RSK e Polygon reduz a complexidade para o usuário ao mínimo
- A parceria de longo prazo com o UNICEF — da carteira ao Shelter/AidLink — demonstra como uma entrega comprovada constrói relacionamentos duradouros com os clientes
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