Em 10 de março de 2026, o UNICEF Venture Fund publicou os resultados oficiais do piloto AidLink em Nairóbi, Quênia — o primeiro teste completo da plataforma de transferência de dinheiro baseada em stablecoin fora da América Latina. Para a Xcapit, este piloto representa um marco: validação independente de que nossa infraestrutura funciona em um novo continente, com uma população diferente, em condições reais de campo.

O dado mais importante: 100% dos fundos chegaram ao seu destino. Todos os 49 beneficiários receberam seus 65 USDC e os converteram com sucesso para xelins quenianos via M-Pesa. Em transferências de dinheiro humanitárias, onde cada dólar que não chega é uma falha, uma taxa de conclusão de 100% não é apenas uma métrica — é uma promessa cumprida.
O Piloto: Nairóbi, Dezembro de 2025
O piloto foi realizado em dezembro de 2025 na Região Metropolitana da Grande Nairóbi, Quênia. A ONG local Advantage Africa identificou e facilitou a participação de 49 beneficiários com diferentes níveis de deficiência intelectual — um grupo de teste deliberadamente diverso que incluía pessoas que podiam operar telefones de forma independente, pessoas que necessitavam de assistência familiar ou de cuidadores, e pessoas que precisavam de suporte total de terceiros para a operação do telefone.
Essa escolha de beneficiários foi intencional. Se a infraestrutura funciona para pessoas com as maiores barreiras de acesso, funciona para todos. É o mesmo princípio que orientou o piloto de Cusco: construir primeiro para o caso mais difícil.
O fluxo seguiu a mesma arquitetura AidLink, com os três parceiros cumprindo seus papéis: a Rumsan gerenciou os dados dos beneficiários e acionou os desembolsos, a Xcapit forneceu a carteira SMS e o gerenciamento de tesouraria via Shelter, e a Kotani Pay executou a conversão USDC para KES e o saque via M-Pesa.
Carteiras SMS: Stablecoins Sem Smartphone
O componente mais crítico do piloto foi a carteira SMS da Xcapit. Em muitas regiões da África e do Sul Global, smartphones não são a norma — feature phones (telefones básicos com teclado) continuam sendo o dispositivo principal. O AidLink não pode depender de beneficiários baixando um aplicativo ou tendo uma conexão estável de internet.

A carteira SMS funciona por meio de comandos de texto. O beneficiário recebe um SMS notificando que os fundos estão disponíveis. Para convertê-los para M-Pesa, ele envia um comando SMS com seu número de telefone M-Pesa. O Shelter executa a conversão on-chain, a Kotani Pay completa o saque, e o beneficiário recebe xelins diretamente em sua conta M-Pesa. Tudo sem aplicativos, sem internet, sem conhecimento sobre blockchain.
Resultados: Taxa de Conclusão de 100%
Os resultados do piloto, publicados pelo UNICEF Venture Fund, falam por si:
- 49 beneficiários receberam 65 USDC cada — taxa de desembolso: 100%
- 100% dos fundos foram convertidos com sucesso para M-Pesa em xelins quenianos
- 39 de 49 transações (79,6%) foram concluídas sem problemas — média: 19 minutos
- Transação mais rápida: 1 minuto do recebimento do USDC até o saque via M-Pesa
- 9 transações (18,4%) tiveram processamento estendido — entre 40 minutos e mais de 2 horas
- 1 transação levou 2 dias porque o beneficiário não tinha eletricidade em casa
- Painel público no Dune Analytics para verificação independente de todas as transações on-chain
A taxa de conclusão de 100% é a manchete principal, mas há nuances importantes. As 9 transações com processamento estendido foram causadas por interrupções temporárias de RPC (comunicação com a blockchain) e uma escassez temporária de liquidez em KES na conta bancária de saque. Esses não são falhas do sistema — são condições operacionais reais que orientam o design dos próximos implantações.
O Que Aprendemos: Lições Honestas do Campo
Um dos princípios da Xcapit é que pilotos não servem apenas para provar que algo funciona — servem para encontrar o que não funciona. O piloto do Quênia entregou exatamente isso: uma lista clara de melhorias que fortalecem a plataforma para a próxima implantação.
- A interface SMS precisa de simplificação: os comandos eram pouco intuitivos para alguns usuários e a sensibilidade a maiúsculas e minúsculas causou erros evitáveis. A solução: adicionar uma interface USSD com opções de múltipla escolha como alternativa.
- Os procedimentos operacionais precisam de documentação mais robusta: houve três casos de números de telefone digitados incorretamente por erro humano e alguns beneficiários chegaram apenas com cartões SIM, sem telefones.
- A liquidez de saque deve ser garantida previamente: houve uma escassez temporária de xelins quenianos na conta bancária da Kotani Pay, o que atrasou algumas conversões.
- A estimativa de carga de dados precisa ser aprimorada: as interrupções de RPC foram causadas por subestimação da carga nos nós da blockchain.
- O contexto local importa: a tecnologia deve se adaptar às condições reais de campo, não o contrário.
Como observou José Trajtenberg, CEO da Xcapit: "Operar em cenários humanitários reais destacou desafios relacionados à infraestrutura, conectividade e coordenação. Essas experiências reforçaram que a tecnologia deve permanecer simples, flexível e adaptada ao contexto, sublinhando a importância do design modular e dos testes iterativos."
Transparente por Padrão: Painel Público
Um aspecto fundamental do piloto é a transparência. Todas as transações — tanto os desembolsos iniciais quanto as iniciações de saque — são registradas on-chain e verificáveis por meio de um painel público do Dune Analytics. Qualquer pessoa pode auditar de forma independente o fluxo de fundos.
Ao mesmo tempo, informações de identificação pessoal (nomes, números de telefone) nunca são armazenadas on-chain. As carteiras de teste foram encerradas após a conversão bem-sucedida para evitar uso indevido. É o equilíbrio correto: total transparência sobre os fundos, total privacidade sobre as pessoas.
De Cusco a Nairóbi: Infraestrutura Que Se Fortalece
O piloto do Quênia é o segundo marco do AidLink após o piloto de Cusco com 270 beneficiários. Mas, em vez de uma repetição, é uma evolução. Cusco validou que o fluxo funciona. O Quênia validou que funciona em um contexto completamente diferente — continente diferente, moeda diferente (KES), sistema de dinheiro móvel diferente (M-Pesa), cultura diferente e beneficiários com necessidades específicas de acessibilidade.
Cada piloto fortalece a plataforma. Os desafios de Cusco informaram o design do piloto do Quênia. Os desafios do Quênia informarão a próxima implantação. Essa é a essência do desenvolvimento iterativo em condições reais — não demonstrações em laboratório, mas infraestrutura testada com as pessoas que precisam dela.
Se a sua organização trabalha com transferências de dinheiro humanitárias, programas sociais governamentais ou qualquer contexto que exija distribuição de valor transparente e rastreável, os resultados do piloto do Quênia demonstram que a infraestrutura está pronta. Saiba mais sobre o Shelter em nossa página de estudo de caso ou entre em contato conosco diretamente.
José Trajtenberg
CEO & Co-Fundador
Advogado e empreendedor em negócios internacionais com mais de 15 anos de experiência. Palestrante destacado e líder estratégico impulsionando empresas de tecnologia para impacto global.
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